Os ônibus dos outros municípios iam chegando, 40, 50, 20, 100 estudantes. Os primeiros a chegarem foram os estudantes de Campos, depois os de Volta Redonda. Enquanto isso, a produção ainda trabalhava para que tudo ocorresse bem no show de abertura. No Circo Voador os artistas passavam o som, os poetas do coletivo Filé de Peixe, vídeo e poesia, testavam os seus vídeos. Conversei com alguns estudantes que chegavam dos ônibus, eram muitos e de vários tipos. De Campos encontrei um grupinho muito jovem, eles tinham 16 anos e estudavam na Escola Técnica de Agropecuária de lá. Perguntei à eles sobre suas expectativas na Bienal, era a primeira vez que participariam de um evento parecido e vieram preparados para comer literalmente a programação frenética proposta. E foi verdade, esses jovens estavam em todas, oficinas, no debate central. Outro estudante que também se destacou tipo “Onde está Wally” foi o Vitor de Volta Redonda, estudante de História. A primeira vez que o vi foi no debate “Real e Virtual”. Dali em diante, era figurinha fácil e personagem principal da minha câmera. - Acompanhei toda a Bienal através de uma sony portátil. Encontrei com Vitor nos outros debates, na oficina de zine no Espaço Literário, nas festas. Vitor me fez pensar, um evento do tamanho da Bienal da UEE que exigiu a mobilização de muitos jovens que voluntáriamente trabalharam semanas para que tudo acontecesse, todo esse trabalho se justifica e se gratifica com participantes como Vitor, que venceu a própria lei física “ de que um corpo não pode estar em dois espaços diferentes ao mesmo tempo” e participou de quase todas as atividades. Valeu.
Rebobinando. Passagem de som, circo voador, noite. Tímidamente jovens chegavam no circo. Essa seria uma noite diferente na casa de show, foi uma noite em que o Circo depois de muito tempo cobrava uma entrada mais acessível, apenas R$ 16 reais. Normalmente um show lá custa R$ 30 ou R$ 40 reais. A entrada a R$ 16,00 me fez voltar num túnel do tempo, na década de oitenta quando o circo foi criado e a proposta eram shows com entradas mais baratas. Enquanto alguns chegavam do lado de fora do circo duas Orquestras tocavam. Eram muitos e muitos instrumentos de sopro com alguns de percussão. Eles não estavam ali por causa da Bienal. Tavam fazendo um som em homenagem a Zumbi e assim por acaso a noite de abertura da Bienal começou com essas duas orquestras de improviso. A Orquestra Voadora, carioca e a Gote Notte, francesa, entraram tocando pela porta da frente do circo e com ela a galera que dançava ao seu som. Esse foi um dos momentos mais lindos da noite de abertura. Isso é a Bienal, um plural de coisas acontecendo e a diversidade cultural livre, free para todos. Dali em diante foi só alegria, Renegado, Bnegão e Marcelinho da Lua, os artistas convidados, fizeram shows de chorar. A produção lavou a alma e apesar de cansada, com certeza começaria melhor o segundo dia. E os participantes que chegaram dos ônibus, agora mais de 300, dançaram até o fim e não podiam nem acreditar que tudo aquilo ali era para eles.
Priscila Miranda
Especulações mensaleiras
8 horas atrás

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